sexta-feira, 12 de junho de 2015

Fichamento do primeiro capitulo da obra A história do Sabor*

       Imagem 1 - ilustração de pinturas em cavernas dos povos pre-históricos


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·         Discutir o gosto alimentar dos povos pré-históricos representa um desafio. Por definição, esses povos não deixaram registros escritos de seus gostos e aversões.
·         Pelos restos de comida é possível demonstrar o que as pessoas comiam, e, pelo descobrimento de itens como lareiras, fornos, panelas e utensílios, é possível ter uma ideia de como a comida era preparada e consumida. Contudo, não é tarefa fácil tentar entender por que as pessoas escolhiam o que comiam e se gostavam do que comiam.
·         Os arqueólogos usam várias linhas de evidencia para estudar esse assunto tão complicado que é o gosto: cultura material, resíduos de comida, evidencia estrutural, contexto ambiental, analogias etnográficas, arte, conhecimento medico e restos mortais em si.

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·         Rebanhos de leite são diferentes de rebanho de corte ou produção de lã, por exemplo. Tais escolhas são influenciadas por questões econômicas e de meio ambiente, mas também por preferencias culturais e alimentares.
·         O abate é uma pratica tão enraizada culturalmente que, até os dias de hoje, revela claramente diferenças regionais e pode se relacionar a costumes da época e gosto em consumo de carne.

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·         O contexto do consumo de alimentos revela muito mais sobre a cultura, os costumes e o paladar.
·         Como saber quais alimentos eram selecionador pelo sabor e quais por necessidade? As duas coisas podem estar fortemente relacionadas. Temos a tendência de desejar o que realmente necessitamos. Por exemplo, temos vontade de comer doces quando necessitamos rapidamente de energia. Contudo, muitos gostos, proibições e costumes podem, na verdade, ser revelados pelas opções alimentares aparentemente ilógicas de certo povo.
·         A cultura ocidental moderna está muito distante do tipo de sociedade existente na pré-história.

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·         Povos “primitivos” recentes e modernos não são povos pré-históricos e não estão preservados em formol. Suas culturas são dinâmicas e influenciadas pelas mudanças circulantes. Ademais, o meio em que as culturas primitivas sobreviventes existem nem sempre é uma boa analogia do passado.
·         O paladar de nossos ancestrais mais antigos pode ter sido muito diferente do nosso.

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·         Em relação a gosto, as implicações são obvias e simples. Os povos pré-históricos tinham estômago para coisas que não comeríamos hoje em dia. Eles comiam com regularidade alimentos que hoje consideraríamos estragados. Pode-se demonstrar que comiam alimentos semiapodrecidos, mas será que apreciavam o sabor? É bem provável que sim. Ao pesquisar a história da domesticação de cavalos no Cazaquistão, este autor conheceu um criador local que lhe ofereceu uma tigela de koumiss, bebida feita de leite de égua fermentado. Para o paladar ocidental moderno, o sabor é bastante repulsivo e provoca todas as reações naturais do corpo à comida estragada. Os cazaques tradicionais o adoram. Perguntamos por que o criador não consumia o leite de égua fresco. A resposta é obvia: eles não tem como conservar o leite fresco em geladeira. Contudo, obviamente nunca havia pensado nisso, e pausou antes de responder que leite fresco não tem gosto algum.


  Imagem 2- representa a extração do leite de égua,
 futuro Koumiss, a bebida tanto apreciada pelos Cazaques

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·         É certo que alguns povos pré-históricos poucos estocavam alimentos, mas também há evidencia de vários métodos de armazenamento, como defumação e secagem.
·         Gosto é uma questão de costume.

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·         O uso inicial de fogo para calor e cozimento é atribuído ao Homo ergaster/erectus. O sitio antigo mais famoso com evidencia do uso de fogo é a caverna de Zhoukoudian, na China, datada entre 500 mil e 240 mil anos atrás. Deixando de lado a biologia evolucionaria, a introdução do cozimento leva nitidamente a discussão de gosto a um novo patamar. Dali em diante, as pessoas não só escolhiam o que comer, mas também como cozinhar a comida. Para o Homo ergaster/erectus essa escolha pode ter se limitado a cru ou bem passado, mas a tecnologia e variedade de métodos de cozimento logo teriam uma influencia tão grande nas decisões de gosto quanto aos ingredientes usados.

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·         Pode-se concluir seguramente que as fontes de gordura eram importantes e muito apreciadas pelos povos pré-históricos.
·         Os caçadores-coletores pré-históricos não só gostavam de gordura como também tinham preferencias por tipos específicos de gordura.
·         Podemos estar certos também de que os caçadores-coletores da pré-história gostavam de doces. Não é atoa que as papilas gustativas para doçura se encontram na ponta da língua. Sua presença ali é uma característica adaptativa de nossa evolução.

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·         Na pré-história, o açúcar viria de frutas e bagas, mel, seiva de bordo e de outros extratos de plantas. É bastante fácil colher bagas que podem ainda ser estocadas depois de secas.
·         A coleta de mel sempre foi bastante arriscada, já que as abelhas são perigosas, principalmente na ausência de roupas apropriadas. É provável que o uso de fumaça para acalmar as abelhas seja uma técnica tradicional.

Imagem 3 - pintura rupestre da gruta da Aranha, em Bicorp (Espanha), 
mostra uma cena de coleta de mel enquanto as abelhas revoam ao redor.


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·         A terra não era a única fonte de nutrição na pré-história. O mar é um fornecedor excepcional de alimentos, incluindo mamíferos marinhos, peixes, moluscos, moluscos, crustáceos e até algas marinhas.

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·         O que está claro é que frutos do mar são apreciados e valorizados há tempos. A exploração de recursos marinhos e costeiros provavelmente desempenhou papel fundamental na colonização pré-histórica de varias partes do mundo.

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·         Conforme a agricultura foi se espalhando, aumentou também a disponibilidade de carboidratos, que além do mais podiam ser estocados para consumo ao longo do ano.
·         Existem alguns lugares no mundo em que as pessoas descobriram, de forma independente, como plantar para comer como Oriente Próximo, América Central e China. Foi no Oriente Próximo, há 10 mil anos, que cereais como trigo e cevada foram domesticados pela primeira vez. Entre 9 e 8 mil anos atrás, alimentos importantes como milho e feijão foram cultivados pela primeira vez na América Central e o arroz na China.
·         Nos centros de domesticação, as versões selvagens das culturas já tinham grande influencia na dieta das pessoas antes do advento da agricultura. Contudo, nas áreas onde a agricultura foi introduzida, esses alimentos seriam uma verdadeira novidade.

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·         No que se refere ao gosto, é interessante saber até que ponto lidamos com agricultores que se mudam e colonizam novas áreas ou com pessoas nativas que adotam novos alimentos e sabores. Os registros arqueológicos indicam nitidamente que ambas as coisas aconteceram, dependendo do local e da época. O que está claro é que alguns grupos adotaram novos alimentos a ponto de excluir outros possíveis recursos.

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·         (Quanto às culturas ocidentais modernas), gostamos de carboidratos e apreciamos ainda mais os doces. Do final do século XIX em diante, o açúcar, refinado tornou-se largamente disponível em grandes quantidades. Nosso gosto por doces nos levou a consumir grandes quantidades de açúcar, paralelamente a uma dieta rica. O resultado é obesidade e diabetes. O gosto pré-histórico por dietas ricas em carboidratos pode ter ocasionado problemas de saúde no passado, mas atualmente estamos diante de situação semelhante.
·         A criação de animais surgiu pouco depois da agricultura. Cabras, ovelhas, gado e porcos foram domesticados no oriente próximo, entre 8 mil e 9 mil anos atrás. Cavalos e camelos-bactrianos foram domesticados na Ásia Central entre 5 mil e 6 mil anos atrás. Aparentemente, os cavalos foram, de inicio, domesticados para alimentação. É provável que galinhas tenham sido domesticadas no Sudeste Asiático por volta de 8 mil anos atrás, seguidas pelos patos cerca de 3 mil anos depois.

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·         A adoção da produção de laticínios está intimamente ligada a uma questão de gosto. Se olharmos as pessoas do mundo de hoje, encontraremos grupos, incluindo muitos do Extremo Oriente e outros em regiões da África, por exemplo, que simplesmente detestam leite. Por trás de tal aversão há um problema digestivo. Eles são intolerantes à lactose, o açúcar do leite, porque não tem habilidade de produzir lactase, a enzima que digere a lactose. O leite, então, lhes provoca náuseas. Entretanto, habitantes do noroeste da Europa e muitos outros grupos tem altos níveis de tolerância a lactose. Isso é claramente uma adaptação evolutiva local. O mais interessante é que todos os nossos primeiros ancestrais tinham intolerância à lactose quando adultos. Os humanos, como muitos outros mamíferos, perde a habilidade de digerir o leite após o desmame. A grande questão é como os humanos superaram esse problema em varias regiões para criar economias baseadas em laticínios. Se todos os humanos tinham aversão natural ao leite, quem foi o primeiro a experimentar ingeri-lo e por quê? Como esses grupos desenvolveram o gosto por uma dieta de laticínio?

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·         É difícil determinar a idade das bebidas lácteas fermentadas, como koumiss (do leite de égua), shubat (do leite de camelo) e kefir (do leite de vaca), mas é bem provável que coincida com as origens da produção de leite em si, pois provavelmente era bem difícil evitar que o leite fermentasse.
·         É impossível saber o que os povos pré-históricos achavam do sabor das bebidas alcóolicas. Hoje em dia é comum dizer que tais bebidas são um gosto “adquirido”, e a tendência é adquiri-lo por razoes sociais. O mesmo pode ser verdade na pré-história.
·         O sal, o mais conhecido de todos os temperos, é muito difícil de ser estudado em termos arqueológicos. Sendo solúvel, tende a não deixar vestígios, e não há meio de identificar seu consumo a partir do estudo de esqueletos humanos; dependemos do descobrimento de lugares onde o sal era produzido. O sal de rocha pode ser minerado, mas o mais comum é a produção de sal pela evaporação da água do mar, de lagos salgados ou de fontes salobras. Em climas adequados, a evaporação solar é possível.

Imagem 4 - Shubat (leite de camelo)

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·         O sal era bastante valioso, mas não se sabe bem o por quê. Além de ser um tempero, era também um conservante. E evidente, contudo, que a comida salgada fazia parte da dieta pré-histórica.
·         É ainda mais difícil avaliar arqueologicamente o uso de ervas e especiarias. Há varias plantas usadas como condimento, muitas até hoje. (...) tabuas de escrita linear B de Micena fornecem algumas das evidencias mais antigas de seu uso. Elas se referem ao uso de sementes de coentro, cominho, funcho, gergelim, aipo, menta e outras ervas e especiarias. É evidente que algumas eram usadas na culinária, mas os registros mostram que também eram empregadas na produção de óleos aromáticos.(...) o uso, no passado, de ervas e especiarias como medicamento é ainda mais complicado. Na maioria das vezes, não há certeza se dada planta era usada como condimento, remédio, conservante, perfume ou como uma combinação desses usos.
·         Muito pouco se sabe sobre receitas pré-históricas. Os ingredientes são conhecidos, mas raramente há evidencias de como eram combinados no preparo dos pratos.

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·         Os banquetes e a alta cozinha são aspectos importantes da atividade social de qualquer sociedade. Os banquetes podem ser usados para demonstrar riqueza e status pelo consumo ostensivo de comida e bebida. Tal demonstração às vezes envolve o consumo de alimentos raros, exóticos ou caros. De outro modo, o status social pode ser demonstrado pela qualidade dos acessórios de mesa. Nesse contexto, o gosto não é simplesmente questão de paladar, mas de moda. Gosto requintado e riqueza para sustenta-lo são, com frequência, marcas de distinção em uma sociedade hierárquica de classes. Os banquetes, com certeza, estão presentes em sociedades de caçadores-coletores.


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·         A maioria dos estudos sobre alimentos pré-históricos concentra-se em aspectos econômicos. Tais estudos tratam de como as pessoas sobreviviam, e, embora esse aspecto seja importante, é evidente que a vida não é apenas sobrevivência. Tendências recentes em pesquisas arqueológicas ressaltam as importantes diferenças entre “comida” e “dieta” e chamam a atenção para o contexto social no qual o alimento é consumido.
·         Algumas questões sobre gosto podem ter sido bastante influenciadas por nosso passado evolucionário ou por nossas necessidades alimentares, enquanto outras foram ditadas pelo ambiente e pela disponibilidade. Não obstante fica claro que existia igualmente na pré-história uma rica variedade de sabores a escolha, e as escolhas eram ditadas por forças sociais. Alimentos e bebidas usados nos banquetes podem ter sido escolhidos pela qualidade, pela natureza exótica ou ainda por suas qualidades inebriantes. O prestigio a mesa poderia resultar de quantidade, raridade, novidade ou moda dos alimentos e utensílios. A religião e os tabus devem ter exercido influencia também. E deveria haver, como hoje em dia, simples gostos e aversões individuais, os mais difíceis de serem estudados.


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*A história do Sabor - Paul Freedman, Organizador; Tradução de Anthony Sean Cleaver – São Paulo; Editora SENAC SÃO PAULO, 2009

Imagem 1 disponivel em: <prehistoria.tumblr.com>. Acesso em 12 jun 2015
Imagem 2 disponivel em:<mw1.google.com> Acesso em 12 jun 2015
Imagem 3 disponivel em: <www.curionautas.com.brAcesso em 12 jun 2015
Imagem 4 disponivel em: <turanasia.kz>Acesso em 12 jun 2015





































*A história do Sabor- Paul Freedman, Organizador; Tradução de Anthony Sean Cleaver – São Paulo; Editora SENAC SÃO PAULO, 2009



GASTRONOMIA E HOSPITALIDADE: a gastronomia maranhense nos empreendimentos de alimentos e bebidas da Avenida Litorânea em São Luís – MA

 Marilene Sabino Bezerra¹ 
 Silvia Helena dos Santos Mendes ²


A pesquisa aborda a relação entre a Gastronomia e a Hospitalidade, com enfoque sobre a gastronomia maranhense nos empreendimentos de alimentos e bebidas localizados na Avenida Litorânea em São Luís/MA. Observa-se que os domínios da hospitalidade estão diretamente relacionados com o ato de receber, hospedar, alimentar e entreter, fundamentais para o desenvolvimento da atividade turística. O objetivo da pesquisa é identificar os principais pratos e produtos da gastronomia maranhense que são oferecidos nos estabelecimentos da Avenida Litorânea, assim como investigar se ela apresenta alterações em sua composição. A metodologia foi pautada primeiramente em pesquisas bibliográficas, através de literaturas e sites fidedignos e logo depois foi realizada a pesquisa de campo, com aplicações de questionários estruturados com os gestores dos empreendimentos de alimentos e bebidas da área objeto de estudo. Evidenciou-se que para maioria dos gestores dos estabelecimentos pesquisados, a gastronomia maranhense é um grande atrativo e deve ser oferecida ao turista, pois ela significa a identidade de um povo, e é uma forma de manifestação cultural única que deve ser valorizada, principalmente, sob a ótica do turismo no sentido de proporcionar ao visitante uma oportunidade de contato, não apenas por saciar a fome, mas no sentido de interagir com as tradições, os costumes locais, os ritos e os valores alimentares. Nesse contexto, conclui-se que a gastronomia é muito importante como forma de atrativo turístico, cujo trabalho pesquisado poderá servir de base para outros pesquisadores que queiram estudar aspectos relacionados á hospitalidade e gastronomia maranhense. 

Palavras-Chave: Hospitalidade; Gastronomia Maranhense; Atrativo Turístico.


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¹Orientadora  Mestre em Sustentabilidade de Ecossistemas Universidade Federal do Maranhão - UFMA
²Graduada curso de Bacharel em Hotelaria Universidade Federal do Maranhão - UFMA

sexta-feira, 29 de maio de 2015

SABERES E FAZERES DA GASTRONOMIA TRADICIONAL: um estudo sobre as características histórico-culturais aplicadas a produção do Doce de Espécie no Município de Alcântara/MA.

Linda Maria Rodrigues1
Elaine Cristina Silva Fernandes 2
Luana Isthael Carvalho Silva 3




RESUMO



A pesquisa apresenta os estudos e análises dos saberes e fazeres tradicionais aplicados na produção do “doce de espécie” do município de Alcântara/MA. O presente trabalho foi resultado de estudos realizados no Grupo de Estudo “Identidades Culturais da Gastronomia Maranhense” - UFMA, e teve como objetivo compreender os saberes e fazeres gastronômicos que envolvem a produção do Doce de Espécie. Analisar o conhecimento tradicional através da influência dos Açores na preparação do doce. Conhecer a relação do Doce de Espécie com a Festa do Divino realizada anualmente no município de Alcântara/MA. A metodologia utilizada com intuito de alcançar os objetivos propostos se deu através de pesquisa exploratória e descritiva com abordagem qualitativa e coleta de dados por meio de entrevista não estruturada. O campo da pesquisa foi o município de Alcântara/MA, conhecido pela produção e distribuição do doce de espécie na região - os sujeitos deste estudo foram os moradores do município e um vendedor de doces da Cidade de São Luís /MA. Os resultados apontam que o “Doce de Espécie” é de cultura portuguesa, que veio por meio dos Açorianos e foi adaptada pelos escravos vindos da África para o Brasil. A valorização e preservação do “doce” dependem do incentivo aos produtores locais, de uma política pública e privada de valorização dos saberes e fazeres tradicionais do doce de espécie e do interesse dos jovens pela manutenção da tradição cultural quanto ao “saber-fazer” aplicado ao doce.



Palavras-Chave: Saberes Tradicionais. Doce de Espécie. Alcântara/MA



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1 Profa.Dra. Universidade Federal do Maranhão – UFMA. lindarodrigues@ufma.br 
2 Graduada em Hotelaria – UFMA. Especialização em Tecnologia de Alimentos - UFMA. elaine_csfernandes@hotmail.com 
3 Graduada em Hotelaria – Universidade Federal do Maranhão. luana_isthael@hotmail.com

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Dica de Livro


Uma super dica de livro para quem curte a gastronomia brasileira ou gostaria de conhecê-la melhor é a obra “A pátria nas panelas: História e  receitas da cozinha brasileira”. Escrita por Pedro Cavalcante, editoria Senac São Paulo no ano de 2007. Em um dos seus capítulos, o autor traz de maneira cativante um pouco da história gastronômica maranhense.

Segundo ele, se a história do Brasil fosse contada por gastrônomos e cozinheiros, tudo o que nós aprendemos na escola teria de ser estudado de novo:  Os franceses fundaram São Luís em 1612, contudo dois anos mais tarde foram definitivamente expulsos. Apesar desse acontecimento, seu efeito na gastronomia foi glorioso. Ninguém sabe que prodígios teria produzido a cozinha maranhense se os franceses tivessem conseguido se firmar na cidade de São Luis. Apesar desse “fracasso”para os franceses, a cozinha da região foi se enriquecendo através dos séculos com os temperos e os alimentos que iam chegando dos continentes africano e europeu, sem nunca perder, no entanto, o gosto indígena pela diversidade tropical.
O cuidado na preparação dos pratos não é um privilegio reservado apenas ao arroz-de-cuxá (por exemplo). A cozinha maranhense sempre exige cuidados especiais, mesmo nas refeições do dia-a-dia.
Para o autor a gastronomia maranhense apresenta algumas características fundamentais:  o seu lado saudável – pesca fresca, coco natural, o tempero moderado, pouca gordura. E, com efeito, a base do tempero sempre é a mesma. Há pratos que preservam todo o seu sabor sem o artificio enganoso e enjoativo dos banhos de óleo. Bem menos “quente” do que a cozinha baiana, a maranhense evita pimenta em doses obrigatórias.
Terra de transição entre o Norte e Nordeste, era natural que o Maranhão sofresse influência de seus vizinhos. Como resultado, a mesa maranhense chega a surpreender pela generosidade a qualquer hora do dia. Não importa o momento, as preferencias naturalmente variam entre pratos salgados como a torta de camarão e a doçura suave da compota de bacuri.

Como "Bônus" o autor traz para o leitor algumas receitas da região maravilhosas. Aqui você pode acompanhar uma dessas receitas:



Arroz de caranguejo
(Receita de Admée Duailibe)

500 g de carne de caranguejo
2 cebolas picadas
2 tomates maduros cortados em pedaços
3 colheres de sopa de extrato de tomate
4 dentes de alho picados
3 colheres de sopa de manteiga
4 colheres de sopa de óleo
500 g de arroz
5 xícaras de água
sal a gosto

Tempere a  carne de caranguejo com as cebolas, os tomates, os extrato de tomate, o alho e o sal. coloque-as numa frigideira com manteiga e deixe refogar por alguns minutos. numa panela com o óleo, refogue o arroz, tempere e adicione a água. quando começar a secar, junte o caranguejo e tampe a panela.

Dica: Dessa mesma maneira se fazem também o arroz de camarão e sururu.




Fonte: CAVALCANTE, Pedro. A pátria nas panelas: a historia e receitas da cozinha brasileira. Sao Paulo: Editora Senac São Paulo, 2007

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Sobre o Carnaval maranhense + Receita de Filhós com calda de açucar

O carnaval antigo era muito diferente do atual, segundo a pesquisadora e culinarista maranhense Zelinda Lima. Segundo ela, havia o "entrudo", costume grosseiro que levava as pessoas a invadirem as casas para brincarem jogando jatos d'água, tapioca, tinta, e outros materiais menos nobres, o que, frequentemente, redundava em brigas, às vezes de grave consequência.
Depois, os blocos de mascarados promoviam "assaltos" às casas dos amigos, obrigados a obsequia-los com bebidas e guloseimas. Havia doces próprios da época momesca, como os filhós com calda de açúcar.

Sentiu curiosidade sobre essa delicia?
Eis abaixo a receita ensinando como prepara-lo. É muito simples, você precisa apenas de:

1 xícara de chá de  água com sal e açúcar
1 xícara de chá de farinha de trigo
3 ovos
1 colher de chá de fermento em pó
Óleo para fritar.



Para a Calda, você vai precisar de:

3 xícaras de chá de açúcar
1 1/2 xícara de chá de água
gotas de limão.



Agora, com materiais em mãos, vamos seguir com o modo de preparo:

Coloque a água para ferver e depois coloque a farinha para fazer o angu. Tire do fogo e coloque os ovos, batendo bem a massa. Em seguida, frite as bolas da massa, trabalhando com duas colheres. Durante a fritura, fure as bolas com um palito. Faça uma calda fina e sirva com os filhoses.

Pronto, agora é só se divertir, experimentando essa delícia.










Fonte: LIMA, Zelinda. Pecados da gula.  2ª edição ampliada.São Luis: Instituto Geia, 2012.
Imagem disponível em:https://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=&esrc=s&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=0CAYQjB0&url=http%3A%2F%2Fwww.thetourexpert.eu%2Fcountries%2Fswitzerland%2Ffood-and-drink-of-switzerland%2Fswiss-recipes%2F&ei=yw7qVN7MEIH_ggT9voSQCQ&bvm=bv.86475890,d.eXY&psig=AFQjCNFudn11-BuT7ZumY1vUxDYcXMnH1g&ust=1424711736150407> Acesso em 22 Fev 2015.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Delícias da Terra

Receita


Creme de camarão

1 copo de leite de gado
1 colher de sopa de maisena, ou farinha de trigo
1 ovo (gema)
1 colher de chá de manteiga
Camarão fresco
Alface
Queijo ralado
Ervilhas
Azeitonas

                                                                                                               

Misture tudo e leve ao fogo para fazer um mingau bem grosso. Prepare o camarão aferventado e temperado e arrumar o preparado em camadas, na seguinte ordem, de baixo para cima: alface, camarão, queijo, ervilhas, azeitonas e, por ultimo, o creme.


Experimente e sinta-se feliz com essa delícia!!!








Fonte: LIMA, Zelinda. Pecados da gula. 2ª edição. Sao Luis: Instituto Geia, 2012. pagina 256

Imagem disponivel em <https://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=&esrc=s&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=0CAYQjB0&url=http%3A%2F%2Froccoblog.zip.net%2Farch2008-04-01_2008-04-30.html&ei=3_TIVN33NsKdgwS_goHwCQ&bvm=bv.84607526,d.cWc&psig=AFQjCNFBtHhE8dUpUfEz2MZ4BhyxlF676w&ust=1422542417158738>. Acesso em 28 jan 2015.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

O Ano Novo no Maranhão

1


          A comemoração do Ano Novo no maranhão é uma repetição da festa do Natal. Ainda existe o hábito de reunir a família e aguardar até meia-noite no dia 31 de dezembro para confraternizarem-se amigos e parentes, onde há troca de abraços e sinceros votos de um próspero ano que inicia.
        As ceias dessa noite são semelhantes às de Natal e muitas pessoas vão à igreja ou à praia. Muitas barracas vendem comidas à base de frutos-do-mar e bebidas... 
        Hoje, não podemos nos esquecer de mencionar a queima dos fogos de artificio que deixam esse momento ainda mais belo!






1 imagem disponivel em<http://webeduc.mec.gov.br/portaldoprofessor/quimica/cd3/conteudo/aulas/2_aula/aula.html>. Acesso em 01 jan 2015
Fonte: LIMA, Zelinda. Pecados da gula. 2ªedição. São Luis: instituto Gaia, 2012.